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Fraktal SoftwaresCase de processo

Melhorias no processo de discovery

Além das telas: ferramentas que criei para o time de produto

Cinco iniciativas que criei e incluí no processo de discovery do time de product designers, para proteger o escopo, antecipar riscos e tornar visível, para o cliente e para o dev, o que não aparece nas telas.

Empresa
Fraktal Softwares
Tipo
Melhoria de processo
Contexto
Discovery de MVPs em ciclos de cerca de 90 dias
Meu papel
Product Designer, autora das cinco iniciativas
Time
Time de product designers, que otimizava o processo continuamente
Formato
Templates com instruções de uso, aplicados módulo a módulo
Desafio

O processo de discovery já tinha estrutura, mas alguns problemas se repetiam em todos os projetos: ideias que se perdiam, integrações descobertas tarde e um cliente aprovando o que não conseguia visualizar.

O que fiz

Criei e incluí no processo cinco ferramentas: um estacionamento de ideias estruturado, uma tabela de integrações, o userflow por módulo, a matriz de permissões e a tabela de planos e acessos.

Impacto esperado

Escopo protegido, uma V2 que já nasce priorizada, menos atrasos por dependências externas e menos retrabalho com regras de acesso.

01Contexto

O problema estava no processo, não no produto

Na Fraktal, cada product designer era responsável pelo produto, do briefing ao protótipo e à entrega final. O processo de discovery já tinha uma estrutura, e nosso time de designers estava sempre buscando formas de melhorá-lo. Passando por projetos diferentes, comecei a notar problemas que se repetiam em todos, independentemente do cliente. Em vez de resolvê-los caso a caso, transformei cada um em uma ferramenta do processo.

Cinco problemas recorrentes, cinco iniciativas

  1. 1

    Ideias boas que surgiam no meio do projeto iam para um quadro de post-its e se perdiam. A V2 começava do zero.

    Estacionamento de ideias
  2. 2

    Integrações só eram mapeadas no desenvolvimento. Cadastros demorados, como o das lojas de apps, atrasavam a entrega.

    Tabela de integrações
  3. 3

    O cliente precisava aprovar uma estrutura sem visual e não conseguia entendê-la. Estados de erro eram esquecidos.

    Userflow por módulo
  4. 4

    Muitos produtos tinham mais de um público, com acessos diferentes. Sem uma visão única, surgiam brechas e retrabalho.

    Matriz de permissões
  5. 5

    Em produtos por assinatura, o que cada plano libera ficava implícito até o desenvolvimento.

    Planos e acessos

Onde cada uma entra no processo

  1. KickoffFormulário de discovery e alinhamento com o cliente
  2. ArquiteturaFluxograma de ambientes e módulos
  3. UserflowDecisões, erros e caminhos alternativos, validados com o cliente
    nova etapa
  4. Detalhamento por móduloFuncionalidades e critérios de aceite
    + integrações, permissões e planos
  5. ProtótipoNavegável, junto com a documentação para o dev
Estacionamento de ideias: aberto durante todo o projeto, recebendo o que não cabe no escopo atual.
02Estacionamento de ideias

Dizer “agora não” sem dizer “não”

Em projetos rápidos, as ideias não param de surgir: do cliente, do time e do próprio discovery. Se tudo entra, o MVP não termina em 90 dias. Se nada é registrado, a próxima versão começa do zero. O time já tinha um estacionamento de ideias, mas era só um quadro de post-its: as ideias ficavam ali, sem critério, e quase nunca voltavam à mesa. Reestruturei esse quadro para que ele pudesse ser explorado, priorizado e mensurado, e virasse a base da V2.

Iniciativa de melhoria de um quadro existenteVeja no case de locação de cadeiras

Antes: um mural de post-its

  • Ideias soltas, sem tipo nem prioridade
  • Impossível saber o que era urgente, arriscado ou só desejável
  • Pendências do cliente misturadas às ideias do time
  • Na prática, um cemitério de ideias

Depois: um quadro que decide

  • Cada ideia tem um tipo (cor) e uma prioridade (posição)
  • Pendências do cliente em uma área separada
  • Pode ser lido, filtrado e mensurado
  • Vira o backlog priorizado da V2

Como construí

  1. A cor diz que tipo de ideia é

    Defini cinco tipos, para que o time leia o quadro de longe e entenda a natureza do que está parado ali.

    • RiscoAlgo que pode comprometer o produto e precisa de atenção
    • HipóteseAlgo que precisa ser testado antes de virar funcionalidade
    • RefatoraçãoMelhoria em algo que já existe
    • AutomaçãoTarefa manual que pode ser automatizada
    • EvoluçãoUma funcionalidade nova
  2. A posição diz a prioridade

    Cada ideia é posicionada numa matriz de impacto e esforço. Os quadrantes têm nomes que já dizem o que fazer com o que está neles.

    Ganhos rápidosAlto valor, baixo esforço
    Grandes apostasAlto valor, alto esforço
    Baixa prioridadeBaixo valor, baixo esforço
    Questionar ou reavaliarBaixo valor, alto esforço
  3. Uma área só para o cliente

    Algumas ideias não avançam sem uma definição do cliente. Separei essas pendências numa área própria, que vira a pauta das reuniões de validação.

    Decisões a validar com o cliente
    O que o time pode decidir fica na matrizO que depende do cliente fica aqui
O quadro, com exemplos fictícios
Tipo (cor): RiscoHipóteseRefatoraçãoAutomaçãoEvolução
Impacto →
Ganhos rápidosalto valor · baixo esforço
Central de notificaçõesTeste de usabilidade nos fluxos principaisPreencher o endereço pelo CEPPáginas de termos e políticas
Grandes apostasalto valor · alto esforço
Assistente de IA para o suporteBusca por vozRegistro de auditoria das ações do adminSeparar os acessos por perfil
Baixa prioridadebaixo valor · baixo esforço
Reorganizar o menu do painelNovo tema de cores
Questionarbaixo valor · alto esforço
Dashboard do admin mais completoAgenda integrada ao calendário
Esforço →
Decisões a validar com o clienteideias que não avançam sem uma definição do cliente
Cobrar por usuário ou por empresa?Login com redes sociais já na V1?
Redesenhei o template com exemplos genéricos. Os projetos reais são sigilosos.

Por que ele importa

Protege o escopo

O cliente vê que a ideia foi registrada, classificada e priorizada. O “agora não” fica mais fácil de aceitar, e o MVP cabe no prazo.

Já entrega a V2

Quando o MVP termina, a próxima versão começa com um backlog priorizado e justificado, não com uma folha em branco.

Revela padrões

Muitas ideias de risco num projeto são um sinal de alerta. Muitas de automação mostram processos manuais do cliente, que viram oportunidade de produto.

Como uso o quadroComeço pelos ganhos rápidos, levo as grandes apostas para o cliente como roadmap e questiono o que é caro e vale pouco antes de descartar. Nada sai do quadro sem uma decisão.
03Integrações

Descobrir dependências antes do código

Muitas integrações só eram mapeadas na hora do desenvolvimento. Algumas exigem cadastro, aprovação ou contrato com terceiros, como a publicação nas lojas da Apple e do Google, que leva dias. Quando isso aparece no fim, a entrega atrasa por um motivo que não é de design nem de código.

Problema

Dependências externas descobertas tarde, com cadastros e custos que ninguém tinha previsto.

O que criei

Uma tabela por módulo, preenchida desde o discovery: o serviço, o que ele faz em linguagem simples, uma categoria para agrupar, o link e os valores.

Impacto esperado
  • Cadastros e aprovações iniciados com antecedência, sem travar o dev
  • O cliente conhece os custos de terceiros antes de aprovar o escopo
  • O dev recebe a lista de dependências junto com o protótipo
Template com exemplos
IntegraçãoO que fazCategoriaLinkValores
ViaCEPAo digitar o CEP, preenche rua, bairro e cidade no cadastroCadastroviacep.com.brGratuito
Google DriveCria uma pasta por cliente e anexa os documentos geradosDocumentosdevelopers.google.comA confirmar com o cliente
WhatsApp BusinessEnvia lembretes e confirmações para o usuárioComunicaçãobusiness.whatsapp.comCobrança por mensagem
Apple App StorePublica o app para iPhone; exige conta de desenvolvedor e revisão da ApplePublicaçãodeveloper.apple.comAnuidade da conta
A coluna “O que faz” é escrita sem termo técnico, para que o cliente entenda e aprove. A categoria agrupa visualmente (cadastro, documentos, comunicação, financeiro, IA) e cresce conforme o projeto pede.
04Userflow

Tornar visível o que não tem tela

Entre o fluxograma de módulos e o detalhamento das telas havia um vazio: as decisões, os erros e os caminhos alternativos não apareciam em lugar nenhum. O cliente não conseguia validar uma estrutura sem visual, e os estados de erro acabavam esquecidos até o desenvolvimento. Implementei o userflow como uma etapa do processo para tornar essa parte visível.

Nova etapa no processoVeja no case de vale-transporte
PáginaDecisãoInteraçãoInício / fimErro
SimNãoSimSimNãoNãoInícioIniciar sessãoPrimeiravez no app?Inserir dados de registroInserir dados de acessoDados deregistrocorretos?Dados deacessocorretos?ErroErroHome
Exemplo do template: o acesso ao app, com primeiro acesso, login e os dois caminhos de erro.

As regras que defini para usar

  • Só onde há ramificação realUm userflow por módulo com decisão condicional, como autenticação ou checkout. Não precisa em todo módulo.
  • Depois da arquitetura, antes das telasEle nasce do fluxograma de ambientes e módulos e vem antes do detalhamento de funcionalidades.
  • Validado com o clienteO cliente aprova os caminhos antes de as telas serem detalhadas, o que evita correções depois.
  • Base para a especificaçãoCada losango vira uma regra e cada círculo vermelho vira um estado de erro em Funcionalidades e Critérios de aceite.
05Permissões

Quem pode o quê, e em qual escopo

Em muitos projetos, o mesmo produto atendia mais de um público em ambientes diferentes. Sem uma visão única, as permissões ficavam espalhadas pelas telas, e o resultado eram brechas de acesso e retrabalho no desenvolvimento. Criei uma matriz que cruza cada ação com cada papel, ambiente por ambiente.

Template com exemplos
Recurso / açãoColaboradorGestorRH / AdminRegra / escopo
Ambiente 1 · App do colaborador
Registrar o próprio ponto✓✓✓Todos registram o próprio ponto
Ver espelho de ponto△ só o próprio△ sua equipe✓ todosA ação é a mesma; o escopo muda por papel
Solicitar ajuste△ solicita✓✓Colaborador só solicita; não efetiva
Aprovar ajuste✕△ sua equipe✓Fica registrado quem aprovou e quando
✓ permitido△ condicional: escopo limitado (só o próprio, sua equipe, apenas solicita)✕ negado

O detalhe que faz diferença

O escopo importa tanto quanto a ação

“Ver espelho de ponto” do gestor (só a equipe) é diferente de “ver espelho de ponto” do RH (todos). O estado condicional existe para deixar isso explícito.

Cada célula é um estado de tela

Um ✕ é um botão escondido. Um △ é um filtro aplicado ou uma ação que vira pedido. Com a matriz, esses estados entram no protótipo.

Uma fonte única para todos

Cliente, designer e dev olham para o mesmo documento. A regra deixa de ser deduzida tela a tela.

06Planos e acessos

A regra da assinatura, módulo por módulo

Em produtos por assinatura, como o Spotify, cada plano libera um conjunto diferente de funcionalidades. Quando isso fica implícito, o dev precisa deduzir e o cliente só descobre a regra no protótipo. Criei uma tabela que mostra, para cada módulo, o que cada plano libera, inclusive os limites parciais.

Problema

O que cada plano libera era decidido aos poucos, e os estados de bloqueio e de upgrade apareciam só no desenvolvimento.

O que criei

Uma tabela por módulo com Grátis, Básico e Premium, um estado para acesso com limite e uma coluna de observações.

Impacto esperado
  • A regra comercial vira uma decisão de produto, tomada no discovery
  • As telas de bloqueio, limite e upgrade entram no protótipo
  • Regras legais ficam visíveis acima das regras comerciais
Template com exemplos
Recurso / funcionalidadeGrátisBásicoPremiumObservação / limite
Módulo · Registro de ponto
Registro pelo app✓✓✓—
Registro por equipamento✕✓✓Integração com equipamento a partir do Básico
Comprovante de registro✓✓✓Exigência legal: vale para todos os planos
Foto e localização na marcação✕△ só localização✓ localização e foto—
✓ incluído△ incluído com limite, descrito na própria célula✕ não incluído
O comprovante de registro aparece em todos os planos porque é uma exigência legal: nenhuma regra comercial pode removê-lo.
07Como eu mediria

Como saber se o processo melhorou

Estas iniciativas foram criadas para o processo do time, então ainda não há números para mostrar. Estes são os indicadores que eu usaria para acompanhá-las:

Ideias que viram V2

O que medirA porcentagem de ideias do estacionamento que entram no backlog da versão seguinte.

ObjetivoConfirmar que o quadro deixou de ser um cemitério de ideias.

Integrações descobertas tarde

O que medirQuantas integrações foram mapeadas no desenvolvimento, e não no discovery.

ObjetivoValidar que as dependências externas aparecem cedo.

Correções depois da validação

O que medirQuantas mudanças de fluxo o cliente pede depois que as telas já foram detalhadas.

ObjetivoMedir se o userflow antecipa as decisões.

Retrabalho de regras

O que medirBugs e ajustes ligados a permissões e planos em cada release.

ObjetivoAvaliar se as matrizes eliminam regras deduzidas.

08Aprendizados

O que estas iniciativas me ensinaram

  • Um problema que se repete em todo projeto é um problema de processo. Resolver uma vez ajuda o time inteiro.
  • Uma boa ferramenta de processo é um template simples, com instruções curtas, que qualquer designer do time consegue usar sem precisar de explicação.
  • O que não aparece na tela também é design: fluxos, regras, acessos e prioridades são decisões de produto tanto quanto o layout.
  • Design de processo
  • Discovery
  • Priorização
  • Gestão de escopo
  • Especificação para dev
  • Regras de negócio

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