Transformar uma locação manual de cadeiras de rodas em autoatendimento por app, para um público de 70 a 95 anos que quase sempre é atendido por um familiar, em um MVP de escopo fechado.
App de locação de cadeiras de rodas
Do discovery ao protótipo em um MVP de 90 dias
Como conduzi, como responsável pelo produto, a primeira release de um app de autoatendimento para locação de cadeiras de rodas, com IA acelerando o processo.
- Empresa
- Fraktal Softwares
- Produto
- App nativo e painel web (cliente sob NDA)
- Status
- Em andamento · MVP de 90 dias
- Meu papel
- Product Designer responsável pelo produto: discovery, arquitetura, fluxos e protótipo da Release 1
- Time
- Conduzi as decisões de produto, validando cada etapa com a cliente do briefing ao protótipo navegável, e acompanhei o desenvolvimento junto ao time de dev até a entrega final à cliente

Conduzi o discovery com a cliente, defini personas, arquitetura e releases, especifiquei os fluxos para o dev e desenhei o protótipo navegável do app e do painel da Release 1.
Um piloto que valida o autoatendimento com pouca intervenção manual e uma base pronta para novos pontos de coleta.
Um negócio manual que precisava escalar sem crescer a equipe
A cliente é uma locadora de equipamentos de mobilidade que sempre operou de forma manual, por WhatsApp e redes sociais, com um único funcionário entregando e higienizando as cadeiras. Ela queria validar um modelo de autoatendimento: o usuário encontra um ponto parceiro perto de casa, escolhe a cadeira pelo app e retira lendo um QR Code. O projeto foi contratado como um MVP de escopo fechado, com 90 dias para ficar pronto, em um ponto piloto.
Operação que não escala
Toda locação dependia de atendimento manual e de um único funcionário para entregar e higienizar.
Quem usa não é quem aluga
Quem usa a cadeira tem de 70 a 95 anos e pouca familiaridade com tecnologia. Quem procura o serviço, na maioria das vezes, é um filho ou uma filha.
Prazo curto e escopo fechado
Um MVP de 90 dias, sem espaço para retrabalho entre design e desenvolvimento.
Objetivos do projeto
- Validar o autoatendimento em um ponto piloto
- Permitir localizar, alugar, retirar e devolver sem depender da equipe
- Dar à locadora controle da operação com pouca intervenção manual
- Deixar a base pronta para novos pontos no futuro
Entender o negócio antes de desenhar qualquer tela
Na Fraktal, o designer de produto é o responsável pelo produto: eu conduzia a cliente desde o discovery e tomava as decisões de produto. Por ser um projeto sob NDA, nomes, marca e dados foram trocados por fictícios.
Um processo em fases
O time de design, com cinco designers, tinha um processo de discovery em fases que nós otimizávamos continuamente. Cada fase só começava depois da aprovação da cliente.
O que isso me mostrouNenhuma tela é desenhada sem uma decisão de negócio por trás, e o retrabalho diminui, o que importa muito num prazo de 90 dias.

Formulário de discovery
Criei o formulário que a cliente respondeu logo depois do kickoff. Em vez de perguntas abertas sobre o que ela queria, ele trazia cenários reais da operação.
O que isso me mostrouAs respostas viraram regras de negócio antes de qualquer tela: cobrança automática das horas extras, política de cancelamento, responsabilidade por danos e as dúvidas que a ficha da cadeira precisava responder. E revelaram que 70% dos contatos vinham dos filhos de quem usa a cadeira.

Perguntas-âncora e Business Model Canvas
Resumi o desafio de negócio e a definição de sucesso em duas respostas, e montei um canvas enxuto para entender quem paga, como o serviço gera valor e quais custos precisam ser gerenciados.
O que isso me mostrouSucesso, no piloto, era o cliente conseguir localizar, alugar, pagar, retirar e devolver sozinho, e a locadora operar com pouca intervenção manual. Esse critério guiou as prioridades da primeira release.

Três personas, três lados do mesmo serviço
A usuária da cadeira
78 anos, pouca familiaridade com tecnologia. Quer se locomover com segurança e manter a autonomia, mas depende de familiares e cuidadores.
Precisa de uma cadeira disponível quando a necessidade surge, sem esforço.
A familiar que aluga
48 anos. Organiza os compromissos dos pais, pesquisa serviços no Google e paga com cartão de crédito.
Precisa saber rápido qual cadeira serve, se tem uma perto e quanto custa.
O responsável pelo ponto parceiro
39 anos. Atende os clientes do estabelecimento e passa informações aos colegas na troca de turno.
Precisa liberar e receber cadeiras rápido, sem atrapalhar o trabalho principal.
Um escopo pensado para caber em 90 dias
Com prazo curto e escopo fechado, a estrutura do produto foi a primeira decisão de design.
Dois ambientes, um para cada lado
App nativo para quem aluga e painel web para a locadora. O app é nativo porque a retirada valida a localização do usuário no ponto, o que reduz o risco de fraude.
Nasce deO modelo de retirada em pontos parceiros.
Fundação primeiro
A Release 1 entrega a base: entrar, encontrar um ponto, escolher a cadeira e cadastrar a operação no painel. Locação e pagamento chegam na Release 2.
Nasce deO prazo de 90 dias e o escopo fechado.
Escopo protegido
Toda ideia nova que surge no mapeamento passa por uma pergunta: cabe nesta release? Se não cabe, vai para o estacionamento de ideias, como V2 ou V3.
Nasce deO risco de o escopo crescer no meio do caminho.
As decisões, uma a uma
Das decisões de estrutura às de interface. Para cada uma: o problema, o que eu fiz e por que fiz assim.
Módulos e releases antes das telas
Com 90 dias e escopo fechado, não dava para desenhar tudo de uma vez nem descobrir dependências no meio do desenvolvimento.
Organizei os dois ambientes em módulos, cada um com descrição, release e estimativa, e desenhei um fluxograma macro com as validações principais. Atuei na Release 1 e também desenhei a Leitura de QR Code, da Release 2.
A ordem de construção fica clara para o time e para a cliente, e cada release entrega algo que funciona sozinho.

Fluxos que o dev consome sem adivinhar
Num MVP rápido, qualquer regra de negócio deixada em aberto vira dúvida no desenvolvimento e retrabalho.
Cada módulo virou um fluxo completo: telas numeradas por profundidade, decisões, estados de erro e bloqueio, regras de negócio em notas e critérios de aceite verificáveis por tela. Os fluxos foram gerados com uma skill de IA criada pelo nosso time de design, para mapear cada etapa com mais velocidade e precisão.
O dev recebe os fluxos junto com o protótipo e sabe o que cada tela faz, inclusive quando algo dá errado. Mapear o impacto entre módulos evita surpresas na integração.


Uma paleta que acolhe
Serviços de saúde e mobilidade costumam usar o azul hospitalar, que lembra doença. O público eram pessoas idosas e seus filhos, num momento delicado.
Uma paleta quente, de bege-areia, terracota e branco. A terracota fica reservada para a ação principal de cada tela. Verde, amarelo e roxo são de status, e o amarelo-claro destaca os avisos importantes.
O tom transmite cuidado em vez de doença, e com cada cor tendo um papel fixo, o usuário aprende rápido onde tocar e o que é só informação.


Cadastro curto, dados só na hora certa
Pedir CPF, endereço e celular logo no cadastro afasta quem só quer ver se tem cadeira perto, e dificulta a aprovação nas lojas de aplicativos.
O cadastro pede só e-mail, senha e o aceite dos termos. A própria tela avisa: “Leva menos de um minuto. Seus dados pessoais só serão pedidos na primeira locação.”
Menos fricção na entrada, e o texto da interface explica a decisão para o usuário em vez de esconder a regra.
Segurança sem expor o usuário
Um login precisa proteger a conta sem revelar quem é cliente do serviço.
Credenciais erradas e e-mail sem conta mostram a mesma mensagem genérica. A recuperação de senha nunca confirma se o e-mail existe. A 5ª tentativa errada bloqueia o login por 15 minutos, e o código de verificação expira.
Segurança que não depende do usuário entender de segurança, com a mesma clareza de mensagens em todos os casos.
Disponibilidade antes do toque
A familiar que aluga tem pressa: precisa saber se tem cadeira perto antes de investir tempo no app.
A home mostra os pontos em mapa ou lista, com o número de cadeiras disponíveis no próprio pin. A localização é pedida com contexto. Se a pessoa negar, o app mostra a lista em ordem alfabética, com um botão para ativar depois.
A informação que decide aparece primeiro, e negar uma permissão nunca vira beco sem saída.


Um ponto de coleta para decidir rápido
Antes de ir até o ponto, a pessoa precisa saber se ele está aberto e se ainda tem cadeira.
O detalhe do ponto mostra o status com a distância, o número de cadeiras disponíveis em destaque com o selo “Atualiza em tempo real”, o horário com a tag “Hoje” e as ações “Como chegar” e “Ver cadeiras” fixas no rodapé.
Tudo o que importa para a decisão cabe numa tela, e as ações principais ficam sempre ao alcance do polegar.


Uma ficha que responde às dúvidas reais
No discovery, as perguntas mais comuns eram físicas: a cadeira é leve? Cabe no carro? Quanto peso aguenta?
A ficha mostra peso, largura do assento, carga máxima e tipo de pneu, com uma descrição na língua de quem aluga (“indicada para quem vai subir no carro com ajuda”). Um aviso em amarelo diz que a cadeira não fica reservada até a retirada.
A ficha responde antes de a dúvida virar ligação, e ser honesto sobre a reserva evita frustração no ponto.


Um painel para quem não é técnico
Quem opera o painel é a dona do negócio, sem time técnico ao lado.
Cada tela abre com uma frase que explica o que ela faz (“o app do locatário mostra o que estiver aqui”). O status sempre aparece com ícone e texto, os filtros mostram a contagem de cada status e o nome da cadeira é sugerido em sequência.
A administradora entende a consequência de cada ação sem precisar de treinamento, e o status nunca depende só da cor.

Ver o app enquanto edita o painel
Ao cadastrar uma cadeira, a administradora não tinha como saber como ela apareceria para o cliente.
O formulário da nova cadeira tem, ao lado, a prévia “Como aparece no app”, atualizada conforme os campos são preenchidos.
Liga os dois ambientes do produto e evita erros que só seriam percebidos pelo cliente final.

Regras que protegem a operação
Uma exclusão errada no painel some do app na hora e pode quebrar uma locação em andamento.
Não é possível excluir uma cadeira em uso nem um ponto com cadeiras vinculadas, e o sistema sugere marcar o ponto como inativo. O parceiro é cadastrado antes do ponto, e o CEP preenche o endereço e posiciona o ponto no mapa.
As regras de negócio ficam na interface, e não na memória de quem opera.

Como validar e acompanhar
O projeto está em andamento e o piloto ainda não foi lançado. Estes são os indicadores que eu usaria para validar o modelo no ponto piloto, ligados à definição de sucesso que a cliente aprovou:
Conclusão da jornada
O que medirA % de usuários que vão do cadastro à retirada da cadeira sem pedir ajuda.
ObjetivoValidar que o autoatendimento funciona sem a equipe.
Cadastro para locação
O que medirQuantos cadastros chegam à primeira locação.
ObjetivoConfirmar que adiar os dados pessoais não cria um gargalo na hora de alugar.
Intervenção manual
O que medirO volume de contatos da locadora com clientes e parceiros por locação.
ObjetivoMedir se a operação ficou de fato mais autônoma.
Ocupação do ponto piloto
O que medirAs horas alugadas por cadeira, por semana.
ObjetivoAvaliar se o modelo justifica abrir novos pontos.
O que este projeto me ensinou
- Em escopo fechado e prazo curto, a maior entrega do designer é a clareza: decisões tomadas cedo e registradas evitam retrabalho.
- Perguntar por cenários, e não por opiniões, faz o cliente tomar decisões de negócio antes que elas virem dúvida no desenvolvimento.
- A IA acelerou a especificação sem tirar o critério do processo: as decisões continuaram sendo minhas, e a IA ajudou a mapear cada caminho com mais precisão.
- Discovery
- Arquitetura de informação
- Especificação para dev
- Design com IA
- App mobile
- UX para público 60+